Arco

Ateliê
transdisciplinar

Arco do Teles,
Praça XV
de Novembro, 34
Rio de Janeiro

Galeria

A sala de mostra da casa

A Galeria é a porta de entrada do Arco, e o que sobe na parede sai do trabalho que acontece na sala ao lado. É aqui que processo de ateliê vira obra exposta, com foco em multimídia, audiovisual e experiência imersiva.

Não é galeria de mercado, é sala de mostra: quem expõe aqui entra numa casa que também ensina, recebe e produz, e sai dela tendo atravessado gente que trabalha com outra linguagem.

Em cartaz

Habitar Arco: diálogos transdisciplinares

Artistas
Chiko
Guilherme “Bill”
Luis Bellas
Curadoria
Peralta
Expografia
Lorena Peña
Direção gráfica
Ívanno José
Horários
10h às 18h, com agendamento
Abertura
12 de setembro
Encerramento
27 de setembro, com a conversa
“Habitar Arco”, com Peralta
Entrada
Gratuita
Texto curatorial: Peralta

Em 1970, durante o Seminário Internacional sobre Pluridisciplinaridade e Interdisciplinaridade nas Universidades, Jean Piaget propôs pensar a transdisciplinaridade como um estágio em que as relações entre diferentes campos do conhecimento ultrapassariam suas fronteiras, constituindo um sistema sem limites disciplinares estáveis. É a partir dessa perspectiva que se estrutura o Arco: um ateliê em que pintura, audiovisual, fotografia e design se encontram como práticas abertas à contaminação, à troca e à transformação. Aqui, o diálogo entre os artistas não acontece apenas pela aproximação de diferentes linguagens, mas pelo modo como cada pesquisa interfere na outra, deslocando procedimentos, perguntas e formas de olhar. Habitar Arco: Diálogos Transdisciplinares nasce desse processo de convivência e investigação compartilhada, no qual a prática de um artista se torna também matéria para a pesquisa do outro.

Chiko desenvolve sua pesquisa a partir do desenho e de um extenso estudo da anatomia, da observação e das formas presentes na natureza. O artista define parte desse percurso como uma “paleontologia pictórica”, investigação que nasce da observação de corpos mortos de animais, ossos, plantas e outras estruturas naturais como um vocabulário visual para a pintura. A morte, nesse processo, não aparece como tema, mas como matéria de observação: forma, cor, textura, estrutura. Em suas obras, veias podem se aproximar de raízes, juntas de troncos, cabelos de cipós, pelos de gramas e peles de rochas, estabelecendo relações entre o corpo humano e aquilo que existe antes, ao redor e para além dele. A distorção anatômica, presente em sua produção, também se relaciona à experiência contemporânea de dissociação entre corpo e mente e ao contraste entre a expansão urbana e a resistência da natureza, a materialidade utilizada pelo artista também se relaciona com a proposta de sua pesquisa, além de suportes tradicionais de pintura como tela e papel, Chiko tensiona a usualidade dos materiais quando escolhe sobras ou descartes como base de sua produção, madeira reutilizada, insufilm queimado e papel rasgado de embalagem são utilizados em sua produção. Sua prática parte do olhar como ferramenta de pesquisa e encontra na pintura um instrumento de revelação: observar, aproximar, decompor e reorganizar formas para tornar visíveis relações que muitas vezes permanecem ocultas.

Guilherme “Bill” desenvolve sua pesquisa fotográfica a partir da observação dos corpos em situações de intensa experiência coletiva. Em sua série Entre Fé e Festa, realizada entre os carnavais do Rio de Janeiro e de Pernambuco, o artista acompanha momentos em que celebração, fé e pertencimento se misturam, registrando corpos que dançam, rezam, vibram, esperam e se entregam à experiência compartilhada. Sua investigação se amplia para as arquibancadas e ruas acompanhando a torcida do Botafogo em sua série E ninguém cala, encontrando no futebol manifestações semelhantes de devoção, euforia e esperança. Entre o sagrado e o profano, Guilherme percebe que o carnaval e a torcida mobilizam emoções próximas: a explosão da alegria, o corpo em movimento, o silêncio da expectativa, a oração e a fé diante de algo que não pode ser completamente controlado. A fotografia aparece, então, como instrumento de aproximação dessas experiências, buscando preservar a intensidade desses encontros e as relações que se estabelecem entre os corpos. Sua prática contribui para pensar a imagem como espaço de observação do comportamento coletivo, fazendo do corpo um ponto de encontro entre diferentes formas de celebração, crença e pertencimento.

Luis Bellas constrói sua pesquisa a partir de uma relação íntima com a matéria e com a tensão entre controle e imprevisibilidade. No trabalho com nanquim, o domínio técnico da pincelada convive com a autonomia da tinta, que se espalha pelo papel molhado, cria manchas, deslocamentos e formas que não podem ser completamente previstas. Luis incorpora esse “desejo” do material ao próprio gesto, acompanhando seus movimentos e encontrando soluções a partir daquilo que acontece durante o processo. A paleta, que parte de variações do vermelho e do preto e alcança o dourado, também resulta dessa investigação: em determinados momentos, o artista aquece o material para produzir uma aparência metalizada, fazendo da própria matéria um elemento ativo da construção da imagem. Sua formação em desenho industrial e sua experiência com design gráfico, produto, moda, direção de arte e figurino ampliam essa pesquisa para além da pintura sobre papel. Na exposição, esse percurso se expande para uma experiência imersiva que ocupa uma sala inteira, reunindo vídeo-performance e uma ambientação em que moda, sustentabilidade e design se articulam. Entre técnica e acaso, bidimensionalidade e espaço, Luis transforma as limitações dos materiais em possibilidades de criação e faz do presente o lugar onde novas realidades podem surgir.

Habitar um espaço é também permitir que ele nos transforme. O Arco se constitui justamente nesse lugar de encontro, em que diferentes práticas deixam de existir de maneira isolada e passam a construir relações a partir da convivência. As pesquisas de Chiko, Guilherme “Bill” e Luis Bellas partem de interesses distintos: o corpo, a natureza, a matéria, a festa, a fé, a imagem e o gesto, mas encontram no ateliê um espaço comum para que essas questões sejam compartilhadas, tensionadas e reelaboradas. Habitar Arco: Diálogos Transdisciplinares apresenta, portanto, parte desse percurso: três artistas que, ao dividir um espaço de criação, também compartilham modos de olhar, perguntas e descobertas. A exposição torna visível esse processo de troca, entendendo a prática artística como algo que se constrói no contato e que pode ser transformado quando nos permitimos olhar a partir do outro.

Peralta, curador

As obras

abra cada obra para ver a ficha

Dezenove obras, na sequência em que estão na parede.

Marcar visita

A abertura, dia 12, e o encerramento, dia 27, são abertos ao público, é só chegar. Nos outros dias a visita é marcada aqui embaixo.

Sua visita

Entre 12 e 27 de setembro.

A casa recebe das 10h às 18h, com o horário confirmado no agendamento.

Dá para marcar mais de um, ou nenhum. O Arco combina o que for possível no dia.

Por onde você chega

Estas perguntas são opcionais. Elas ajudam o Arco a entender por onde circulam as pessoas que passam pela casa, e principalmente quais territórios ele ainda alcança pouco. Não definem a sua inscrição, nem resumem você ao lugar onde mora.

Pode ser onde você trabalha, estuda, cria, encontra gente ou passa boa parte da semana. Se não fizer sentido, deixe em branco.

Você e o Arco

É para o Arco preparar a casa e deixar a sua participação mais confortável.

O Arco guarda o que você escreve aqui só para combinar a sua visita, e não divide com ninguém de fora da casa. Para pedir a exclusão dos seus dados, escreva no direct do @arco_xv.

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