Ateliê
transdisciplinar
Arco do Teles,
Praça XV
de Novembro, 34
Rio de Janeiro
Galeria
A sala de mostra da casa
A Galeria é a porta de entrada do Arco, e o que sobe na parede sai do trabalho que acontece na sala ao lado. É aqui que processo de ateliê vira obra exposta, com foco em multimídia, audiovisual e experiência imersiva.
Não é galeria de mercado, é sala de mostra: quem expõe aqui entra numa casa que também ensina, recebe e produz, e sai dela tendo atravessado gente que trabalha com outra linguagem.
Em cartaz
Habitar Arco: diálogos transdisciplinares
- Artistas
- Chiko
- Guilherme “Bill”
- Luis Bellas
- Curadoria
- Peralta
- Expografia
- Lorena Peña
- Direção gráfica
- Ívanno José
- Horários
- 10h às 18h, com agendamento
- Abertura
- 12 de setembro
- Entrada
- Gratuita
Texto curatorial: Peralta
Em 1970, durante o Seminário Internacional sobre Pluridisciplinaridade e Interdisciplinaridade nas Universidades, Jean Piaget propôs pensar a transdisciplinaridade como um estágio em que as relações entre diferentes campos do conhecimento ultrapassariam suas fronteiras, constituindo um sistema sem limites disciplinares estáveis. É a partir dessa perspectiva que se estrutura o Arco: um ateliê em que pintura, audiovisual, fotografia e design se encontram como práticas abertas à contaminação, à troca e à transformação. Aqui, o diálogo entre os artistas não acontece apenas pela aproximação de diferentes linguagens, mas pelo modo como cada pesquisa interfere na outra, deslocando procedimentos, perguntas e formas de olhar. Habitar Arco: Diálogos Transdisciplinares nasce desse processo de convivência e investigação compartilhada, no qual a prática de um artista se torna também matéria para a pesquisa do outro.
Chiko desenvolve sua pesquisa a partir do desenho e de um extenso estudo da anatomia, da observação e das formas presentes na natureza. O artista define parte desse percurso como uma “paleontologia pictórica”, investigação que nasce da observação de corpos mortos de animais, ossos, plantas e outras estruturas naturais como um vocabulário visual para a pintura. A morte, nesse processo, não aparece como tema, mas como matéria de observação: forma, cor, textura, estrutura. Em suas obras, veias podem se aproximar de raízes, juntas de troncos, cabelos de cipós, pelos de gramas e peles de rochas, estabelecendo relações entre o corpo humano e aquilo que existe antes, ao redor e para além dele. A distorção anatômica, presente em sua produção, também se relaciona à experiência contemporânea de dissociação entre corpo e mente e ao contraste entre a expansão urbana e a resistência da natureza, a materialidade utilizada pelo artista também se relaciona com a proposta de sua pesquisa, além de suportes tradicionais de pintura como tela e papel, Chiko tensiona a usualidade dos materiais quando escolhe sobras ou descartes como base de sua produção, madeira reutilizada, insufilm queimado e papel rasgado de embalagem são utilizados em sua produção. Sua prática parte do olhar como ferramenta de pesquisa e encontra na pintura um instrumento de revelação: observar, aproximar, decompor e reorganizar formas para tornar visíveis relações que muitas vezes permanecem ocultas.
Guilherme “Bill” desenvolve sua pesquisa fotográfica a partir da observação dos corpos em situações de intensa experiência coletiva. Em sua série Entre Fé e Festa, realizada entre os carnavais do Rio de Janeiro e de Pernambuco, o artista acompanha momentos em que celebração, fé e pertencimento se misturam, registrando corpos que dançam, rezam, vibram, esperam e se entregam à experiência compartilhada. Sua investigação se amplia para as arquibancadas e ruas acompanhando a torcida do Botafogo em sua série E ninguém cala, encontrando no futebol manifestações semelhantes de devoção, euforia e esperança. Entre o sagrado e o profano, Guilherme percebe que o carnaval e a torcida mobilizam emoções próximas: a explosão da alegria, o corpo em movimento, o silêncio da expectativa, a oração e a fé diante de algo que não pode ser completamente controlado. A fotografia aparece, então, como instrumento de aproximação dessas experiências, buscando preservar a intensidade desses encontros e as relações que se estabelecem entre os corpos. Sua prática contribui para pensar a imagem como espaço de observação do comportamento coletivo, fazendo do corpo um ponto de encontro entre diferentes formas de celebração, crença e pertencimento.
Luis Bellas constrói sua pesquisa a partir de uma relação íntima com a matéria e com a tensão entre controle e imprevisibilidade. No trabalho com nanquim, o domínio técnico da pincelada convive com a autonomia da tinta, que se espalha pelo papel molhado, cria manchas, deslocamentos e formas que não podem ser completamente previstas. Luis incorpora esse “desejo” do material ao próprio gesto, acompanhando seus movimentos e encontrando soluções a partir daquilo que acontece durante o processo. A paleta, que parte de variações do vermelho e do preto e alcança o dourado, também resulta dessa investigação: em determinados momentos, o artista aquece o material para produzir uma aparência metalizada, fazendo da própria matéria um elemento ativo da construção da imagem. Sua formação em desenho industrial e sua experiência com design gráfico, produto, moda, direção de arte e figurino ampliam essa pesquisa para além da pintura sobre papel. Na exposição, esse percurso se expande para uma experiência imersiva que ocupa uma sala inteira, reunindo vídeo-performance e uma ambientação em que moda, sustentabilidade e design se articulam. Entre técnica e acaso, bidimensionalidade e espaço, Luis transforma as limitações dos materiais em possibilidades de criação e faz do presente o lugar onde novas realidades podem surgir.
Habitar um espaço é também permitir que ele nos transforme. O Arco se constitui justamente nesse lugar de encontro, em que diferentes práticas deixam de existir de maneira isolada e passam a construir relações a partir da convivência. As pesquisas de Chiko, Guilherme “Bill” e Luis Bellas partem de interesses distintos: o corpo, a natureza, a matéria, a festa, a fé, a imagem e o gesto, mas encontram no ateliê um espaço comum para que essas questões sejam compartilhadas, tensionadas e reelaboradas. Habitar Arco: Diálogos Transdisciplinares apresenta, portanto, parte desse percurso: três artistas que, ao dividir um espaço de criação, também compartilham modos de olhar, perguntas e descobertas. A exposição torna visível esse processo de troca, entendendo a prática artística como algo que se constrói no contato e que pode ser transformado quando nos permitimos olhar a partir do outro.
Peralta, curador
As obras
abra cada obra para ver a ficha
Dezenove obras, na sequência em que estão na parede.
-
Bill glamour 2023
glamour
- Artista
- Bill
- Série
- entre fé e festa
- Técnica
- Fotografia digital
em papel Hahnemühle Baryta Satin - Dimensões
- 90 × 60 cm
- Onde e quando
- Olinda, 2023
- Moldura
- Perfil fino de alumínio escuro
-
Chiko Sem título 2026
Sem título
- Artista
- Chiko
- Técnica
- Técnica mista
- Dimensões
- 180 × 160 cm
- Ano
- 2026
-
Luis rituais de presença I 2026
rituais de presença I
- Artista
- Luis
- Técnica
- Nanquim sobre papel
- Dimensões
- 150 × 60 cm
- Ano
- 2026
-
Luis rituais de presença II 2026
rituais de presença II
- Artista
- Luis
- Técnica
- Nanquim sobre papel
- Dimensões
- 150 × 60 cm
- Ano
- 2026
-
Bill sem título 2 2026
sem título 2
- Artista
- Bill
- Série
- entre fé e festa
- Técnica
- Fotografia digital
em papel Hahnemühle Photo Rag Pearl - Dimensões
- 60 × 45 cm
- Onde e quando
- Marquês de Sapucaí, 2026
- Moldura
- Perfil fino de alumínio escuro
-
Bill valente e não se rende 2023
valente e não se rende
- Artista
- Bill
- Série
- entre fé e festa
- Técnica
- Fotografia analógica
em papel Hahnemühle Baryta Satin - Dimensões
- 60 × 45 cm
- Onde e quando
- Olinda, 2023
- Moldura
- Perfil fino de alumínio escuro
-
Bill o que tem dentro do boi? 2024
o que tem dentro do boi?
- Artista
- Bill
- Série
- entre fé e festa
- Técnica
- Fotografia analógica
em papel Hahnemühle Baryta Satin - Dimensões
- Díptico, duas impressões de 90 × 60 cm
- Onde e quando
- Olinda, 2024
- Moldura
- Perfil fino de alumínio
-
Chiko em conserva 1 2026
em conserva 1
- Artista
- Chiko
- Técnica
- Óleo sobre tela
- Dimensões
- 60 × 60 cm
- Ano
- 2026
-
Chiko em conserva - 2 2026
em conserva - 2
- Artista
- Chiko
- Técnica
- Óleo sobre tela
- Dimensões
- 60 × 60 cm
- Ano
- 2026
-
Bill benção, 2024
benção,
- Artista
- Bill
- Série
- ninguém cala
- Técnica
- Fotografia analógica
em papel Hahnemühle Photo Rag Pearl - Dimensões
- 60 × 45 cm
- Onde e quando
- Núñez, 2024
- Moldura
- Perfil fino de alumínio escuro
-
Bill autoflagelo 2024
autoflagelo
- Artista
- Bill
- Série
- ninguém cala
- Técnica
- Fotografia analógica
em papel Hahnemühle Photo Rag Pearl - Dimensões
- 60 × 45 cm
- Onde e quando
- Núñez, 2024
- Moldura
- Perfil fino de alumínio escuro
-
Bill caveira também ama 2024
caveira também ama
- Artista
- Bill
- Série
- ninguém cala
- Técnica
- Fotografia analógica
em papel Hahnemühle Baryta Satin - Dimensões
- 60 × 45 cm
- Onde e quando
- Engenho de Dentro, 2024
- Moldura
- Perfil fino de alumínio escuro
-
Bill bola parada 2024
bola parada
- Artista
- Bill
- Série
- ninguém cala
- Técnica
- Fotografia analógica
em papel Hahnemühle Photo Rag Pearl - Dimensões
- 60 × 45 cm
- Onde e quando
- Maracanã, 2024
- Moldura
- Perfil fino de alumínio escuro
-
Chiko Teia do pensamento entre árvores e órgãos 2026
Teia do pensamento entre árvores e órgãos
- Artista
- Chiko
- Técnica
- Tinta óleo e pastel seco sobre tela
- Dimensões
- 125 × 165 cm
- Ano
- 2026
-
Chiko Sem título 2026
Sem título
- Artista
- Chiko
- Técnica
- Óleo sobre tela
- Dimensões
- 40 × 30 cm
- Ano
- 2026
-
Chiko Sem título 2026
Sem título
- Artista
- Chiko
- Técnica
- Óleo sobre tela
- Dimensões
- 50 × 30 cm
- Ano
- 2026
-
Luis acaso I 2026
acaso I
- Artista
- Luis
- Técnica
- Nanquim sobre papel
- Dimensões
- 20 × 9 cm
- Ano
- 2026
-
Luis acaso II 2026
acaso II
- Artista
- Luis
- Técnica
- Nanquim sobre papel
- Dimensões
- 20 × 9 cm
- Ano
- 2026
-
Luis acaso III & IV 2026
acaso III & IV
- Artista
- Luis
- Técnica
- Nanquim sobre papel
- Dimensões
- 36 × 20 cm
- Ano
- 2026
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A abertura, dia 12, e o encerramento, dia 27, são abertos ao público, é só chegar. Nos outros dias a visita é marcada aqui embaixo.